# Pedro K. Calheiros > Transitando entre a literatura, o empreendedorismo e o Direito. ## Posts - [A queda da eloquência](https://pedrokcalheiros.com.br/a-queda-da-eloquencia/): Não cabe mais tanta vulnerabilidade nas coisas que eu escrevo. Deixarei para sangrar num canto onde ninguém vá se regozijar com meu sangue, deixarei para transbordar em textos que guardarei numa gaveta, textos esses que ninguém vai ler — quem sabe um filho meu, após minha morte, reúna esses testículos numa coletânea e, durante o lançamento, algum tresloucado fale alguma asneira tentando se promover às custas de um defunto. Mas, antes de me calar, tenho duas coisas a tecer; uma quanto a um velho amor e uma quanto a um velho amigo. A literatura, em sua essência, nos permite esses […] - [Gato Bartolomeu é internado preventivamente após alterações no trato urinário](https://pedrokcalheiros.com.br/gato-bartolomeu-e-internado-preventivamente-apos-alteracoes-no-trato-urinario/): O gato Bartolomeu, animal de estimação do escritor Pedro K. Calheiros e presença recorrente em seus textos literários, foi internado preventivamente na manhã deste domingo, em Manaus, após apresentar sinais clínicos de alterações no trato urinário inferior. O felino foi levado a uma clínica veterinária após um episódio de estresse acentuado. Diante da suspeita inicial de obstrução uretral — condição considerada grave em gatos machos —, a equipe médica optou por uma abordagem cautelosa, com internação imediata e a realização de exames complementares. Após a avaliação clínica inicial, a hipótese de obstrução foi afastada. Segundo a médica-veterinária responsável pelo atendimento, […] - [Conversa fraterna](https://pedrokcalheiros.com.br/conversa-fraterna/): Antes de iniciar as atividades do dia, resolvi arrumar alguns papéis velhos. Encontrei o registro de uma conversa fraterna do dia em que pisei na Fundação Allan Kardec pela primeira vez. Conheci a Doutrina Espírita ainda criança, quando acompanhava, sem entender nada, a minha mãe, católica, que gostava de assistir às palestras espíritas. A data marcada era 17 de novembro de 2018. Um dia regido pelo 17 que vira 8, número do destino, número da consequência, número da construção. Um dia em que nada acontece por acaso. E, de fato, não aconteceu – foi quando visitei o lugar que se […] - [Areia doce](https://pedrokcalheiros.com.br/areia-doce/): Andei pensando em ti,o que é estranho, já queeu nem lembrava que tu existias. Dizem que, quando em devaneio,pousa alguém no nosso pensamento,é porque a outra pessoa está a nos invocar. Diante disso, faça o favor:esqueça o poeta que vos fala,não tem mais rima pra ti aqui. - [Travessia](https://pedrokcalheiros.com.br/travessia-2/): A palavra é o remoa me conduzir na travessia;norte, fogo, impulso,vela da minha poesia. Hoje, em tempos de construção,faz escuro, mas vejo tudo à frente;no rio da vida, as águas são caminhoe nossas escolhas ditam a corrente. - [Aspirador de pó](https://pedrokcalheiros.com.br/aspirador-de-po/): Durante uma madrugada de novembro As minhas melhores epifanias surgiram enquanto eu passava (tarde da noite) o aspirador de pó. Sim, ênfase para o tarde da noite. É que eu moro só e ninguém vai encher a porra do meu saco. Enquanto eu pensava isso, percebi que eu me acostumei mal. Muito mal. Porque, de alguma forma, eu faço o que eu quero e quando eu quero. Como empresário no ramo digital, tenho liberdade geográfica para estar num café em horário comercial. Mal sabe o observador desavisado (que deve me ver como um desocupado) as noites sem dormir que eu […] - [O espaço do conto, do poema e da crônica na minha vida](https://pedrokcalheiros.com.br/a-escrita-como-autobiografia-o-espaco-do-conto-da-cronica-e-do-poema-na-minha-vida/): Pedro relaciona sua escrita à inspiração, ao processo criativo e ao amadurecimento, mostrando como poesia, crônica e vivências de caráter autobiográfico estruturam o diálogo entre passado, presente e futuro na formação de sua identidade como escritor. - [Maria Luiza](https://pedrokcalheiros.com.br/maria-luiza/): Meus versos, em festa,desejam a ti a loucura dos poetas,porque a eloquência das musasa tua lírica tem de sobra. Tua luz é clarão que ecoanas rimas, nos sorrisos,nos cantos da existênciaem que deixaste um pouco de ti. Se hoje a minha poesia te cantaé porque regaste, sem saber, a sementeque agora floresce em melodiaa transbordar todo o teu sorrir. - [Memória](https://pedrokcalheiros.com.br/memoria-2/): Andei a pensar em ti – e tu estavas linda. Não irei te descrever, porque não quero que o leitor te imagine sem roupa. Havia uma garrafa de vinho, duas taças e pormenores inerentes a um farfalhar de duas pessoas que acabaram de se amar. Ao acordar, senti teu cheiro no cobertor – era o mesmo que vagueava pelo quarto quando tu voltavas do closet vestindo aquela lingerie. A mesma lingerie que, no findar da noite, acabava esquecida em algum canto do quarto. Outro dia, achei um brinco teu; ­­tu o esqueceste aqui em casa naquela madrugada, quando tu me […] - [A Caverna de Esteta](https://pedrokcalheiros.com.br/a-caverna-de-esteta/): O que o ser humano entende por arte nada é além de um lapso. A Caverna de Platão é uma boa metáfora – há uma metalinguagem curiosa em curso. Se, diante dos nossos olhos, temos algumas impressões mais ou menos funestas do que a arte realmente o é, não seria exagero dizer, a título de exemplo, que a música é o ecoar da voz celestial – que, antes de nos alcançar, bate na parede e o que ouvimos é o seu mero ressoar. Um dia, iremos nos embebedar da galeria real; a alforria da caverna está garantida, que façamos por […] - [Melancolia](https://pedrokcalheiros.com.br/melancolia/): A melancolia que agora me invade é saudade. Não aquela saudade mansa e dolorida de um antigo amor que por muito tempo habitou a minha literatura, mas, sim, saudades de casa. Lá, a liberdade é plena e a fluição, uma constante – não um lapso, tampouco uma brisa que invade o nosso rosto num dia de calor. Cá, diante das intempéries que albergam a humanidade, sinto ojeriza – e tudo me parece pequeno, tudo me parece fugaz. Quero respirar as galerias de arte, quero habitar e reencontrar as infindas formas que criei. Ao recuperar os sentidos após o regresso, reencontrarei […] - [A quem tece as palavras primeiras](https://pedrokcalheiros.com.br/a-uma-futura-escritora/): Fiquei feliz com a notícia de que estás a galgar os primeiros passos na literatura; tudo começa assim mesmo: de repente, uma epifania nos invade e uma frase ou outra começa a ganhar espaço na nossa mente. Quando menos esperamos, estamos correndo atrás do bloco de notas do iPhone ou de um papel em branco; a inspiração é imediatista — se não for no tempo dela, não quer mais. Para escrever bem, duas coisas são essenciais: ler muito e escrever muito — não há saída! Se não tivermos referência, pouco ou quase nada iremos produzir; afinal, não teremos uma base […] - [Ensaio sobre a insensatez](https://pedrokcalheiros.com.br/ensaio-sobre-a-insensatez/): A mudança sempre assusta; nossa mente tenta sabotar, e o mundo inteiro parece conspirar contra. O cérebro gosta de ficar na sala de estar, com o controle remoto na mão, a nos induzir sempre ao esforço mínimo – por um lado, é bom; do contrário, nunca teríamos inventado a r­oda. Mas é preciso cuidado: se não soubermos dominá-lo, acaba por se tornar o Sete de Paus do tarô, nos colocando em alerta, defensivos e resistentes ao novo, na Jornada do Louco da nossa própria vida. O mundo parece conspirar contra quando as pequenas situações do dia a dia nos impelem […] - [Flagrante delito de encantamento](https://pedrokcalheiros.com.br/flagrante-delito-de-encantamento/): Nós estávamos num jantar e, dentre uma garfada e outra, meu olhar passeava pelo meu fichário de couro; estava a estudar para o Exame da OAB. Sophia, paciente, me pediu presença enquanto estivéssemos à mesa; disse que, em breve, tudo isso acabaria – e poderíamos, enfim, aproveitar a companhia um do outro. Querendo fazer parte da minha vida de alguma forma – e, é verdade, por também ser da área – a minha namorada sugeriu que estudássemos juntos. Defendeu a ideia como uma advogada e, com uma oratória impecável, fundamentou a sua tese com base numa pesquisa científica falando sobre […] - [Alamedas do miocárdio](https://pedrokcalheiros.com.br/alamedas-do-miocardio/): Teu flerte insiste em manter acesa uma chama que nós dois, juntos, concordamos que é melhor manter apagada. Teu gesto, em contraste à fala, se desnuda em outra direção – a literatura é testemunha; meu silêncio, prece. A tua boca desenha um croqui de uma pintura que nunca iremos ver a cor; a minha, cúmplice da tragicomédia em que somos os personagens principais, concorda. Quisera eu que a nossa lírica pudesse rimar sem qualquer censura; que o clímax pudesse jorrar no teu corpo, que as minhas paredes voltassem a ecoar a tua voz. A vida me ensinou que nem tudo […] - [Contando estrelas](https://pedrokcalheiros.com.br/contando-estrelas/): Outro dia, a contar estrelas, lembrei-me do nosso segundo café; foi o dia em que você me deu um hidratante labial cor-de-rosa e os nossos lábios se tocaram, mesmo que indiretamente, pela primeira vez. É engraçado como as coisas funcionam. Meu olhar a descobriu no dia em que fomos homenageados numa casa legislativa; fiquei encantado com a ruiva misteriosa que, elegante, cruzava o meu caminho. Mal sabia eu que, meses depois, descobriria mais detalhes daquele mundo que, tão rápido, passava pela órbita do meu. Fizemos uma verdadeira degustação de comida e assuntos variados. O pão de queijo com geleia agora […] - [A escritora](https://pedrokcalheiros.com.br/a-escritora/): O olhar semicerrado me observou, atento, como quem avalia, com cautela, se eu era digno da sua atenção. Apresentei-me e perguntei seu nome; ela me estendeu a mão, mole, como quem cumpre um mero protocolo oficial. A boca, fechada em linha tensa, sustentava um desprezo frio. Desconfiada, respondeu-me como se eu fosse um tresloucado. Disse que era um prazer me conhecer. Meu outro interlocutor, por sua vez, olhou nos meus olhos e apertou a minha mão, ávido. Conversamos sobre algumas coisas e, ao ouvir a conversa, fomos interpelados pela mulher, antes indiferente e um tanto quanto desconfiada do meu instinto […] - [Vibração e pensamento](https://pedrokcalheiros.com.br/vibracao-e-pensamento/): Deve ficar confusa a minha mente. Pela manhã, xadrez. Ao meio-dia e início da tarde, conceitos do direito; os pormenores que delineiam os direitos dos advogados, bem como os demais incisos que albergam o compêndio do Estatuto da OAB. No avançar da tarde, impelido por um devaneio solto, começo a procurar, em obras espiritistas, o quanto os pensamentos influem em nossa vida. Descubro, sem qualquer surpresa, que o ser humano manipula o fluido cósmico universal através da mente; quando manifesta algo, a bem da verdade, está a plasmar a coisa desejada – e esse processo ocorre de forma consciente e […] - [Camarote 10](https://pedrokcalheiros.com.br/camarote-10/): Logo eu, que não saía de casa há semanas, inventei de voltar ao mundo. Meu debut aconteceu no Teatro Amazonas, quando fui assistir ao julgamento do Boto cor-de-rosa que, sem qualquer prova concreta, foi condenado sem levar em consideração o in dubio pro reo (na dúvida, decide-se a favor do réu). Saí de lá com a impressão de que a vida fora do palco também é delineada por condenações levianas; nos tribunais, principalmente, por isso a importância dos advogados para a manutenção do Estado Democrático de Direito. Alguns olhares me chamaram a atenção, mas nada que me fizesse sair da […] - [Efeito Mandela](https://pedrokcalheiros.com.br/efeito-mandela/): A minha terapeuta me fez sentir na pele o que era o Efeito Mandela. O termo foi criado pela pesquisadora Fiona Broome, quando ela percebeu que muitas pessoas (incluindo ela mesma) se lembravam de que Nelson Mandela havia morrido na prisão nos anos 1980, quando na verdade ele foi libertado em 1990 e morreu apenas em 2013. Ou seja, trata-se de uma percepção falsa sobre determinado assunto. A epifania que tive durante a terapia ocorreu quando, na maior convicção do mundo, disse que o meu primeiro beijo havia sido com a minha segunda namorada. Daí a Deborah me rebateu dizendo […] - [Resquícios](https://pedrokcalheiros.com.br/resquicios/): Se hoje me calo, é porque tenho profundo respeito por ti e pelas memórias que cultivamos. Já insisti em lugares onde não deveria permanecer; jardins belos perderam a vida pela falsa esperança do retorno. A verdade que custa a ser aceita é que o que um dia foi jamais voltará a ser como antes. Sigo adiante, com aperto, mas consciente de que a partida é o melhor que poderíamos ter feito pela memória que ainda resta de nós dois. - [Visitante ilustre](https://pedrokcalheiros.com.br/visitante-ilustre/): Estive a ler, após um longo período imerso numa ressaca literária, Drácula, do escritor Bram Stoker. Há algum tempo essa obra já havia chamado minha atenção, mas foi só recentemente que me dei a veneta de me aventurar pelas páginas vampirescas da ficção. Há quem diga que atraímos tudo com a nossa mente – e eu concordo. O pensamento gera sentimento e, a partir de um desejo ardente, criamos um plano para conquistar o que quisermos. Ocorre que, vez ou outra, acabamos por atrair coisas simplesmente por estarmos sintonizados com determinada energia, não necessariamente porque as desejávamos. O Universo entende […] - [Resposta](https://pedrokcalheiros.com.br/resposta/): O caos só é bonito na poesia, baby. Por aqui, no mundo real, a dor me rasga o peito; a saudade às 22h é mais aguda, mas é fato que, no dia a dia, ela é crônica.Um dia desses, antes de uma reunião importante, senti teu perfume; foi como um sussurro teu de longe a me dizer: “Vai dar tudo certo.” Por aqui tudo vai bem. As metas estão sendo batidas mais cedo que o previsto, comecei meus estudos para a OAB, a minha irmã veio passar alguns dias comigo e as plantas do apartamento estão lindas. Tenho vencido no […] - [Entre versos, valores e gratidão](https://pedrokcalheiros.com.br/entre-versos-valores-e-gratidao/): Publiquei meu primeiro livro, O Amor em Quatro Versos, em 2015; foi a minha estreia na literatura, ainda precoce – confesso que queimei a largada. Os poemas eram simples, carregados de paixão, mais simbólicos do que técnicos, porém representaram o primeiro passo em um caminho de amadurecimento.  Em 2017, Epifania Poética marcou esse crescimento, já revelando maior profundidade. E, em 2023, Crônicas de um Poeta Crônico trouxe minha estreia na prosa, que considero, de fato, a entrada definitiva na literatura, porque a crônica é meu território natural: o espaço onde gosto de habitar, onde a poesia e a filosofia encontram […] - [Permanência](https://pedrokcalheiros.com.br/contraste/): Ainda me pego pensando em ti no intervalo entre uma agenda e outra. O cheiro do teu perfume insiste em atravessar o quarto; não sei se é delírio, rastro da tua presença ou se ele ficou impregnado nos meus lençóis mesmo depois de eu ter lavado três vezes. Ainda não aprendi o que fazer com a saudade, nem consegui ocupar os vazios do dia que antes eram guiados, em nossas ligações, pelas notas da tua voz.  O vazio me confunde: como sentir falta do que nunca me pertenceu? Como, diante da tua dialética, sentir qualquer felicidade quando ela entra em […] - [Meu desatino](https://pedrokcalheiros.com.br/meu-desatino/): Não tenho qualquer informação concreta sobre ela; tudo que sei me foi soprado por um vestido amarelo elegante demais para ser ignorado e por um tanto de diletantismo que exala do seu Instagram – que, aliás, reconhece o bom gosto ao eternizar em fotografias um dos meus restaurantes favoritos.  Os amores de hoje são assim, modernos, instantâneos, pendurados em vitrines digitais como frutas maduras demais. Não se colhem cartas, nem bilhetes escondidos no bolso do paletó; colhem-se curtidas, respondem-se stories, entram-se em close friends como quem adentra um salão secreto. Ela tem um rosto que me parece familiar, mas talvez […] - [Travessia](https://pedrokcalheiros.com.br/travessia/): Há uma sensação gostosa que permeia a proteção: o sentimento de que há Espíritos bons a cuidar de mim. O caos, a priori motivo de desatino, torna-se tão pequeno diante das bênçãos da vida. É sabido que não há felicidade plena aqui; tal estado, do qual bebemos vez ou outra, só há de ser sentido de forma plena num plano maior. Enquanto isso, presos na Terra, nos contentamos com a brisa – fruição que acalma diante de tanto tormento. - [A amiga](https://pedrokcalheiros.com.br/a-amiga/): O teu aniversário, que já foi manchete de jornal, já foi motivo de uma busca ansiosa pelo presente certo, já foi razão para eu passar horas tentando costurar palavras bonitas só para te ver sorrir, hoje é apenas mais um dia. Um dia em que acordei, tomei meu café, arrumei meu apartamento e segui a rotina como se nada houvesse de diferente. A tua amizade, que um dia foi porto, farol e abrigo, agora é lembrança. Aprendi que algumas coisas acabam, mesmo quando a gente desejava eternidade. Guardo-te num espaço onde só cabem as coisas que não morrem, naquele campo […] - [Escultura inacabada](https://pedrokcalheiros.com.br/escultura-inacabada/): A escultura de Lego que não tivemos tempo de montar é metafórica; a expectativa de uma construção que as circunstâncias nos deixaram sem a imagem do fim. Hoje a minha poética amanhece triste. O Sol, que antes incendiava a minha alma, esfriou.  Uma estranha melancolia me visitou antes da tua chegada; algo no meu peito já pressentia o fim, uma voz me sussurrava a dizer que era o nosso último encontro. Ignorei os sinais como quem tenta vibrar positivo numa esperança de mudar o desfecho de um filme que já sabe o fim. Hoje de manhã, quando abracei o Bart, […] - [Entre a névoa e o Sol](https://pedrokcalheiros.com.br/entre-a-nevoa-e-o-sol/): Não é preciso recorrer às cartas para saber o que alguém sente; o coração se desnuda nos gestos, no silêncio, na presença ou ausência. A vida é clara como um rio em manhã de sol, mas insistimos em turvá-la, jogando pedras de dúvida e criando ondas desnecessárias. No fim, tudo é simples: as coisas apenas são. No parágrafo anterior há anos de terapia. Antes, embebido por um lirismo exacerbado, criava um mundo à parte. A realidade, ao se apresentar, me mostrava que as coisas não eram bem assim. Mas, cá entre nós, hoje em dia é fácil falar: além de […] - [Apartamento](https://pedrokcalheiros.com.br/apartamento/): Hoje eu coloquei um vaso grandão na sala de estar. Enquanto passava o aspirador de pó no apartamento, uma música tocava no fone de ouvido; por alguns instantes eu estava imerso num mundo só meu. Tomei café da manhã sem pressa. Bolinhos de um peixe amazônico cujo nome não me lembro foram a entrada; depois, uma tapioca simples. A fome não veio. A inspiração, sim. O suco de laranja estava ralo. Ultimamente tenho tido um pensamento de cada vez. Estranho é esse sentimento de tomar consciência do mundo; parece que, no fim, a cor mais certa é amarela, o ar […] - [Sinais de fogo](https://pedrokcalheiros.com.br/sinais-de-fogo/): Há encontros que se anunciam como labaredas. Não vêm com hora marcada, mas deixam no corpo a sensação de queimar antes mesmo de acontecer. Basta um olhar e já não há distância possível entre o gesto e a lembrança. É como se o mundo inteiro conspirasse para acender em nós um incêndio antigo, desses que não se apagam com a chuva da rotina. A gente espera, então; espera o sinal, o gesto e a coragem que o outro hesita em oferecer. A vida parece um palco de desencontros: você por uma rua, eu por outra, e a cidade inteira como […] - [Quatro de paus](https://pedrokcalheiros.com.br/quatro-de-paus/): Quando a névoa, enfim, se dissolveu no espaço; um lindo jardim ganhou forma com lírios, tulipas e girassóis. A tempestade se transmutou em poesia quando o contraste do segundo Sol iluminou a todos sem qualquer cerimônia. O olhar dela era o que meu coração, bobo, precisava; e, cá entre nós, o que seria da minha literatura sem o nosso farfalhar?  Ela era o meu primeiro Sol, é claro, já que seu brilho eclipsava qualquer outra estrela. Por muito tempo, porém, a fiz acreditar que era o segundo. Eu não queria que a musa se achasse tanto. No fim, a loira […] - [Visita](https://pedrokcalheiros.com.br/visita/): A saudade foi mais aguda nas lacunas do dia que costumavam ser preenchidas com o som da tua voz. A vida seguiu, me distraí, e o que restou de nós se perdeu nas memórias que deixei de cultivar.  Até que num dia qualquer, a abrir um livro, voa no meu colo um bilhete teu; mania louca essa dos livros a de servir como máquinas do tempo. A de ressuscitar, sem aviso prévio, fantasmas que só ecoavam nos mistérios da minha escrita.  É engraçado como, a ocupar um parágrafo na minha escrita, essa mesma mulher um dia tenha se proposto a […] - [Telefonema clandestino](https://pedrokcalheiros.com.br/telefonema-clandestino/): O telefone é atendido no primeiro toque. — A sua inércia é uma escolha.— Mas eu te disse que…— Você já escolheu.— Não entendo o que quer dizer… Você sabe que não é tão simples.— As coisas são como são. Não pinte com lápis de cor.— E agora?— O de sempre; transformar o caos em poesia.— E tudo o que…— Um delírio. Ficaremos bem. Como pode a alma sentir falta do que nunca lhe pertenceu? O drama só é bonito na poesia. A vida é mais simples do que a gente finge.— Alô? … Alô?— Quem era, amor?— Ninguém.— Tem […] - [Démodé](https://pedrokcalheiros.com.br/demode/): Haverá um dia em que a minha escrita, imersa num mundo só dela, deixará de permear os temas comuns ao miocárdio. O subterfúgio será outro e o leitor, embebido da novidade, achará que está lendo o autor errado. O existencialismo, quem sabe, vire matéria prima para meus chistes. Os leitores mais românticos que me perdoem, mas, por vezes, é preciso saber a hora de sair de cena. Que démodé a mania de só falar a mesma coisa. - [Pesquisa de campo](https://pedrokcalheiros.com.br/pesquisa-de-campo/): Saí de casa movido mais por curiosidade do que por qualquer intenção concreta. Não era noite de caçar histórias prontas, mas de garimpar matéria-prima, sentir o pulso da noite, registrar mentalmente gestos e olhares como quem sublinha passagens num livro alheio. Acabei na Rox, uma dessas baladinhas que tentam vestir um ar cosmopolita, mas ainda exalam nos cantos o cheiro quente e úmido da cidade. Bastou cruzar a porta para começar o roteiro de sempre: acenos de longe, abraços demorados, sorrisos de quem diz me conhecer — alguns eu reconheço, outros não faço ideia de quem sejam. No fim, invariavelmente, tudo desemboca […] - [Segundo Sol](https://pedrokcalheiros.com.br/segundo-sol/): O par de brincos sob a escrivaninha me lembrou uma música da Duda Raposo. A luz indireta do abajur, a iluminar uma pedra branca, traz um ar dramático à cena. Parece que cada detalhe ao meu redor carrega um significado.  A caneta, à espreita, aguarda a epifania. Se a pena soubesse como andam as alamedas do meu coração, não esperaria por verso algum. A musa, após uma série na tevê, repousa na minha cama; mal tem noção a loira cacheada da metalinguagem em curso: meu sonho, na minha cama, a sonhar. O nosso primeiro encontro foi recheado de simbologia. O […] - [Quando o congelador virou relicário](https://pedrokcalheiros.com.br/quando-o-congelador-virou-relicario/): Hoje cedo, enquanto misturava leite em pó com farinha láctea, me peguei pensando em ti. É engraçado como certas lembranças se escondem nas coisas mais simples. Concluí, sem querer concluir, que viramos isso: dois desconhecidos que sabem demais um do outro. Existe essa fantasia boba de retorno, como se revisitar o mesmo lugar trouxesse de volta o que fomos. Mas a gente sabe. Não traz. O gatilho foi o açúcar no congelador. Eu sei, é estranho, mas eu guardo lá. Ao abrir, vi uma tigela de vidro. Dentro, o resto de um molho de tomate que tu fizeste num dos […] - [Último dia na faculdade de Direito](https://pedrokcalheiros.com.br/ultimo-dia-na-faculdade-de-direito/): Hoje é meu último dia na faculdade de Direito. Lembro-me como se fosse ontem, à minha espera em um dos sofás vermelhos, o Pai a ler o jornal; “Como foi a prova, filho?” Era uma redação, eu havia ido bem. Minha tentativa de entrar em uma faculdade pública havia malogrado e, para começar logo o curso, decidimos que eu começaria logo na particular. Era uma grande ironia, afinal, meu pai era famoso por fazer diversos alunos ingressarem na faculdade pública; numa conversa sincera, porém, chegamos a um consenso: a minha saúde mental era mais importante do que um logotipo no […] - [Café solúvel](https://pedrokcalheiros.com.br/cafe-soluvel/): Quando deitei nos seios dela pela última vez, pude sentir seu coração. Tal imagem voltou à minha mente quando, ao repousar a cabeça sobre o travesseiro, como que num déjà-vu, senti o seu perfume mais uma vez. Estranha mania essa a minha (alguns dizem que há um quê mediúnico): a de sentir o perfume de pessoas que não estão no ambiente.O coração, apertado, sentiu saudade. A pele dela é macia. Sua voz, gostosa, ainda ecoa por aqui. Sua loucura era a minha maior admiração, e o seu caos, diante da loucura da vida, um poema sem métrica escrito num cubo […] - [Deborah](https://pedrokcalheiros.com.br/deborah/): A tua ausência é um eco com o qual ainda estou a me acostumar. É curioso como a presença de quem parte continua habitando os intervalos do cotidiano não como uma sombra, mas como um vestígio de luz. Há conselhos teus que reverberam sem precisar de lembrança; eles simplesmente voltam do jeito que sempre foram: certeiros, despretensiosos, verdadeiros. Outro dia, me peguei pensando naquela nossa última conversa; tu me perguntaste se eu estava a beber. Eu disse que não, que tinha parado e, em resposta a um story onde aparecia um decote misterioso, tu encaixaste aquele comentário tão teu, meio […] - [Desfecho](https://pedrokcalheiros.com.br/desfecho/): Ora, que loucura, um mundo em que já não mais te quero; um mundo em que já nem penso em ti. E, como de costume, a tua ligação quando já estou bem, a verificar se já te esqueci. - [Ponto de vista](https://pedrokcalheiros.com.br/ponto-de-vista/): Tua eloquência acendeu a chamahá algum tempo já apagada;meu lado poeta ressurgiuao som da tua risada. A cada olhar, em rima rica,minha alma versificateus detalhes de cigana,teus trejeitos de mulher. Teu colar sobre o teu seio,um convite ao devaneio;a pensar nesse mistério,fogo árduo da paixão. A pele arrepia a cada toque,um enlace, um desabroche;minha mão na tua cinturame tira toda a razão. - [Lisboa](https://pedrokcalheiros.com.br/lisboa/): O sentimento ainda me é uma novidade, sobretudo pela promessa de eternidade que delineava os nossos traços; não tinha, até então, nada a dizer – mesmo que de sentimentos controversos o meu coração ainda esteja fervendo. Nunca vou entender verdadeiramente a tua partida; os motivos me foram inconsistentes e a forma, cruel. A indiferença, meu amor, foi o golpe mais forte; era, porém, a dose de realidade de que eu precisava. Hoje, melhor do que antes, vejo o quão foi salutar. Algo dentro de mim ficava a pensar sobre isso – mas, por crer que era apenas um sentimento bobo, […] - [Magia](https://pedrokcalheiros.com.br/magia/): Além de vigiar meus pensamentos, tenho vigiado a minha escrita; tudo o que eu escrevo, de um modo ou de outro, acontece – e isso é assustador. Eu acredito na lei da atração, no fato de que sou co-criador da minha realidade e tudo mais; acho que isso acabou por me tornar desapegado a tudo, porque eu sei que posso criar o que eu quiser a partir do pensamento, então, se algo vai embora, é só criar novamente. E, se a coisa saiu da minha vida, é porque foi necessário para que algo maior e melhor se manifestasse. Quando Deus […] - [“O Cão dos Baskerville”, de Arthur Conan Doyle](https://pedrokcalheiros.com.br/o-cao-dos-baskerville-de-arthur-conan-doyle/): Considerado um dos maiores romances policiais de todos os tempos, “O Cão dos Baskerville”, de Arthur Conan Doyle, é uma obra que consegue envolver o leitor em uma atmosfera densa e misteriosa – é a minha terceira leitura do ano. A escrita de Doyle é direta, mas rica em detalhes, transportando-nos para os sombrios pântanos de Dartmoor e para os corredores assombrados da mansão Baskerville. A trama gira em torno da morte enigmática de Sir Charles Baskerville e da suposta maldição que assola sua família, materializada na figura de um cão demoníaco. Sherlock Holmes e seu fiel companheiro, Dr. Watson, […] - [Telepatia](https://pedrokcalheiros.com.br/136-2/): A palavra é uma doideira, né? É quase que telepatia. Morro amanhã. Lerão, à posteriori, tudo que escrevi. Terão acesso a minha mente e aos pormenores que ela delineava. Tudo se desfaz, exceto a palavra fincada no papel. A palavra fincada no papel repousa quieta, ansiosa, vive à deriva. Não há compromisso algum com nada. Nem com o futuro. Ela apenas repousa quieta como um corpo nu exausto após o orgasmo. Enquanto repousa, o seu amor vai até a cozinha buscar um copo d’água. No caso da palavra, às vezes ninguém volta; fica a ver navios – ou melhor, às […] - [Leituras de 2024](https://pedrokcalheiros.com.br/lista-de-livros-lidos-em-2024/): Comprometido com o hábito de ler pelo menos 50 páginas por dia, 2024 se tornou o ano em que mais li na minha vida. Provar que é possível conciliar uma rotina agitada com a leitura de bons livros foi uma das minhas maiores realizações – afinal, tudo se resume a definir prioridades. Mesmo em meio ao caos do trabalho, faculdade, vida amorosa e outros compromissos, consegui finalizar 52 livros ao longo do ano. E, claro, ainda há aqueles livros que li e prefiro manter em segredo, ocupando um espaço especial em uma lista que ninguém jamais conhecerá. A seguir, minha […] - [Silêncio](https://pedrokcalheiros.com.br/silencio/): O eco são as memórias de tudo o que poderíamos ter sido e não tivemos tempo de ser. Um sentimento de calma me invade e, em meu coração, escuto a voz do silêncio. Todos os dias estou aprendendo a te esquecer e, numa noite qualquer, não restará mais nada – e eu nem vou perceber isso. - [Carta para meu outro eu](https://pedrokcalheiros.com.br/carta-para-meu-outro-eu/): Eu tentei, de diversas formas, falar com você. Acontece que essa foi a única maneira viável guardadas as devidas proporções que eu não tenho tempo para explicar agora. Fica tranquilo, você não foi hackeado. Ah, e não mude a senha do seu site, talvez eu precise entrar em contato de novo no futuro. Pode parecer loucura, mas eu sou você; quer dizer, uma versão melhor, eu diria, mas eu sou você. Hoje, ao acordar, tive um sonho terrível e, nesse enredo, você escolhia a outra opção da dicotomia que está vivendo agora. Estou aqui para dizer que siga exatamente o […] - [Pérgola](https://pedrokcalheiros.com.br/pergola/): A piscina dava um ar galante à noite. Não que meu terno feito sob medida, o vestido desenhado à mão da mulher ao meu lado, a arquitetura antiga do Copa, o violino e a comida gostosa não fossem o suficiente para tornar a noite elegante. Havia um quê diferente naquela piscina. E olha que eu nem gosto de piscinas. A dona do vestido vermelho não entendeu nada quando levantei, abri os braços e, à Redentor, me joguei para trás. - [Os Três Mosqueteiros](https://pedrokcalheiros.com.br/os-tres-mosqueteiros/): Que na verdade são quatro, que só dizem “Um por todos e todos por um” uma vez durante o livro inteiro, que se deixam facilmente seduzir por um par de seios, que são leais até demais com seus amigos, que são, por vezes, irresponsáveis; que guardam dentro do peito um bom coração – e que, juntos, vivem em irmandade. Um livro lindo e que acabou por se tornar uma das minhas obras favoritas. - ["O cérebro no mundo digital", como as leituras em telas estão nos sabotando](https://pedrokcalheiros.com.br/a-leitura-em-telas-esta-sabotando-o-seu-cerebro/): A cada dia, mais e mais, somos impelidos a consumir literatura de forma digital; por muito tempo eu mesmo tive um Kindle, afinal, livros físicos são muito caros, o que acaba desestimulando a leitura e tornando o hábito de ler uma atividade, num país como o Brasil, extremamente elitista.  Em contrapartida a praticidade e democratização da literatura através de dispositivos digitais como e-readers, tablets e smartphones, estudos recentes – e experiências que eu mesmo fiz – dizem que a absorção da leitura em telas não é a mesma quando lemos um livro físico e, a seguir, irei explicar o porquê. […] - [O dia em que Roberto Carlos processou Francisco Calheiros](https://pedrokcalheiros.com.br/o-dia-em-que-roberto-carlos-processou-francisco-calheiros/): Meu pai sempre foi apaixonado por Roberto Carlos. A memória de Roberto em minha infância é bem presente, seja quando ele estava escutando os CDs na biblioteca enquanto preparava suas aulas, seja nos especiais de final de ano, quando a família se reunia na frente da TV. Uma vez, encontrei até uma rosa dentro de um livro que havia sido arremessada pelo próprio Rei em um show aqui em Manaus. Toda essa paixão se transformou em uma grande decepção quando uma citação judicial chegou pelo correio. Era referente a um livro de poemas que ele estava escrevendo na tentativa de […] - [Leituras que mudaram algo em mim](https://pedrokcalheiros.com.br/leituras-que-mudaram-algo-em-mim/): Boas festas! Espero eu, caro leitor, que esteja a aproveitar os últimos dias de 2024 ao lado das pessoas que ama – e que, diante do caos que é estar com a família reunida nessa época, possa encontrar algum tempo para desfrutar de um bom livro. Se está aberto a leituras novas, devo dizer que encontra-se no lugar certo; separei três títulos da minha lista de livros lidos esse ano para indicar. Espero que, de uma forma ou de outra, eles também mudem a vida de vocês como, de alguma forma, mudaram a minha. Uma das minhas metas esse ano […] - [O pássaro azul](https://pedrokcalheiros.com.br/o-passaro-azul/): O pássaro azul não deve ter entendido nada quando, ao chegar mais perto, percebeu que o pássaro amarelo já havia feito morada em outro ninho. - [Um devaneio disperso](https://pedrokcalheiros.com.br/um-devaneio-disperso/): Ao desaguar em palavras, algo dentro de mim encontra de relance uma essência perdida. - [Última vez](https://pedrokcalheiros.com.br/ultima-vez/): Em nosso íntimo, sabíamos que não haveria um depois; uma música entoava as coisas num tom de despedida e, ignorando o sentimento atroz, os dois fizeram amor pela última vez. Com algum remorso e, em certo grau, luto, arrumaram a bagunça em silêncio. As camisinhas usadas foram recolhidas e os brinquedos eróticos, guardados. O gemido que ecoava há pouco tempo agora dava vazão a um som bem maior que os dois poderiam suportar: o silêncio. As palavras não ditas foram acumulando e, num dado momento, já não havia mais nada a ser dito devido ao tanto que ficou por dizer. […] - [Madrugada](https://pedrokcalheiros.com.br/madrugada-de-outubro/): O gato mia pedindo para sair do quarto; são 2h35 da noite e eu não poderia estar curtindo a noite de forma mais proveitosa. Uma taça de vinho cairia bem, mas não sei se estou disposto a arcar com os efeitos colaterais que essa inclinação etílica teria com o meu remédio para TDAH. É o meu primeiro final de semana solteiro; o sentimento é estranho. Se eu fosse um jovem normal, teria ido a alguma festa, flertado com uma garota e, quem sabe, no final a gente acabaria no meu quarto ou em algum outro lugar qualquer. Nunca gostei de […] - ["Peter Pan", o clássico que me fez dar uma chance aos clássicos](https://pedrokcalheiros.com.br/peter-pan-o-classico-que-me-fez-dar-uma-chance-aos-classicos/): Sempre tive um certo preconceito com os clássicos – e isso se dá porque o meu debut na literatura se deu com Machado de Assis; por Deus, que tipo de criança há de se interessar pelas veredas da literatura com um autor que escreve “muxoxo” ao invés de “beijo”? Foi assim que, com pesar, criei uma certa resistência com clássicos; isso durou até um dia desses, quando decidi ler “Peter Pan”, um dos maiores clássicos da literatura universal. O livro conta a história de um menino que não cresce, que vive na Terra do Nunca, que conversa com fadas, que […] - [Promessas de fim de ano](https://pedrokcalheiros.com.br/promessas-de-fim-de-ano/): Você já preparou as suas promessas de fim de ano? Não diria que é uma promessa, mas um desejo que tenho lapidado dentro de mim há algum tempo é o ímpeto de sumir das redes sociais e viver apenas respondendo e-mails, atendendo a telefonemas e, raramente, ver os amigos em confraternizações intimistas. A solidão é um luxo; ou melhor, a solitude é um luxo. Nada me é mais valioso do que o tempo que passo a sós comigo mesmo imerso num mundo só meu. Quando quero ir a algum lugar, só vou. Não preciso de amigos, namorada, família ou o […] - [O dia que tentei subornar uma idosa](https://pedrokcalheiros.com.br/o-dia-que-tentei-subornar-uma-idosa/): O motivo, em minha defesa, era o dos mais nobres; ela tinha uma edição única de um box de livros que eu queria muito ler. Tudo começou quando a Haper Collins Brasil lançou as famosas edições de luxo da Agatha Christie. Cada box tem três livros, cada um com um mistério – e por Deus, que elegância…  O cheiro das páginas, cuidadosamente encadernadas e bordadas à linha só não causam mais farfalhar no meu miocárdio do que o cheiro do papel pólen. A visão das edições, todas lidas, cuidadosamente dispostas na estante também são motivo de um sorriso bobo… O […] - [Encontro com um escritor](https://pedrokcalheiros.com.br/pov-date-com-um-escritor/): O vestido preto, como num sussurro, berrava em voz alta a dialética da misteriosa mulher. Seus traços, delineados pela maneira como ornava o próprio corpo, revelavam pistas da sua essência; até o momento, munido de poucas informações, ela me era um mistério completo. O mundo ao meu redor perdeu o foco e o motivo não era a minha miopia, tampouco o colar que balançava entre os seios num convite à observação. A energia magnética tinha origem em sua ambição de dominar o mundo e mal sabia ela que os pilares da sua personalidade que enrijeciam o meu corpo eram imunes […] - [Ensaio sobre a libertinagem](https://pedrokcalheiros.com.br/ensaio-sobre-a-libertinagem/):  “Esses poetas são a pior espécie”, declarou Ana, em voz alta, enquanto todos bebiam e riam das piadas do nosso amigo escritor. A olhar para os olhos de Sofia pela primeira vez, comentou: “Nunca estive no Paraíso, tampouco sei se acredito nele, mas o teu olhar deve ser, com visão para ele, alguma espécie de janela.” Com os olhos castanhos caramelizados, a moça não levou muito a sério, sobretudo pelo fato de que o nosso amigo já estava na quinta dose de vodka com limão — mas em seu íntimo ficou mexida sim e torceu para aquele comentário ter algum […] - [A insustentável leveza de desapaixonar-se](https://pedrokcalheiros.com.br/a-insustentavel-leveza-de-desapaixonar-se/): A imagem daquela mulher deitada sobre o divã não saía da sua cabeça. Já se conheciam há algum tempo, mas por conta da pandemia acabaram por adiar mais e mais o encontro. Em seu apartamento mobiliado com papéis de parede fora de moda e muitos livros, Tomas fez amor com Sofia pela primeira vez. No dia seguinte, ao acordar, se deparou com a imagem daquela coisa branca andando de calcinha com uma de suas camisetas pelo apartamento. Teve, na noite anterior, várias mulheres em uma só, e se apaixonou perdidamente por cada uma delas. Não sem algum remorso, Tomas tirou […] - [Incenso](https://pedrokcalheiros.com.br/incenso/): Diante do caos da vida, tudo o que um poeta precisa é de uma mulher compreensiva para enchê-lo de amor para enfim, juntos, dominarem o mundo. - [O Bar do Caldeira](https://pedrokcalheiros.com.br/o-bar-do-caldeira/): Ela sentou à mesa movida por aquele ímpeto que move os escritores; precisava sangrar. Não era à toa que vivia só, Vinicius de Moraes acabou roubando toda a popularidade do mundo dos escritores para si. Sentia-se triste, o que não era novidade. A maquiagem borrada, os óculos de aro redondos embaçados e a tremedeira nas mãos atrapalhavam o processo de escrita. Acreditar no amor era como jogar uma garrafa de água meio cheia para o alto e torcer para que ela caísse em pé. Às vezes até dava certo, mas eram apenas corpos a se enlaçar, e mais nada. Havia […] - [A acrobata](https://pedrokcalheiros.com.br/acrobacia/): Entreguei a bola de golfe no meio da festa como quem entrega um lembrete; à posteriori, ao reencontrar o objeto, a artista lembraria do momento curioso que o recebeu. Por ser algo um tanto quanto insólito, iria relembrar a história toda vez que alguém perguntasse o porquê diacho ela tinha uma bola de golfe. Ou não. Talvez a moça só jogasse a bola numa bolsa de maquiagem, que então por lá repousaria quieta por toda a eternidade. O clima de festas sempre me foi estranho, sempre preferi um ambiente mais controlado como um jantar regado a massas e um bom […] - [Alumbramento](https://pedrokcalheiros.com.br/alumbramento/): Uma palavra diz muito sobre uma pessoa; a minha é alumbramento, que quer dizer inspiração e encanto. - [Máquina do tempo](https://pedrokcalheiros.com.br/maquina-do-tempo/):             Quando escrevo, nada mais importa; o mundo lá fora perde o sentido. As palavras minhas vão percorrendo o papel como o líquido que se esparrama pela mesa de um copo que acaba de virar. O tecido do espaço tempo faz uma curva e a cada frase que desabrocha algo dentro de mim revive.             É a pele arrepiada ao ouvir uma música gostosa, uma prece atendida ou, quem sabe, o perfume da pessoa amada. O tempo se comporta diferente e cada olhadela no relógio me faz acreditar que há um portal para o futuro quando estamos imersos no que faz o […] - [Assassinato no Expresso do Oriente – O romance que moldou o gênero policial](https://pedrokcalheiros.com.br/assassinato-no-expresso-do-oriente-o-romance-que-moldou-o-genero-policial/): Assassinato no Expresso do Oriente é um dos poucos romances policiais que justificam, sem esforço, a fama que carregam. Hercule Poirot embarca no trem rumo a Londres por acaso, mas nada ali é casual. Agatha Christie constrói o cenário perfeito para o crime fechado: um vagão isolado pela neve, passageiros variados demais para serem irrelevantes e um assassinato que exige método, lógica e sangue-frio. A força do livro não está apenas no mistério, mas na forma como Christie organiza as pistas. Cada detalhe é colocado de maneira honesta, sem truques baratos, e isso cria um jogo intelectual raro. O leitor […] - [A Extravagância do Morto – Um caso elegante, mas pouco convincente](https://pedrokcalheiros.com.br/a-extravagancia-do-morto-um-caso-elegante-mas-pouco-convincente/): A Extravagância do Morto é um dos livros em que Agatha Christie demonstra habilidade, mas não atinge o nível de refinamento que consagrou seu nome. A premissa é forte: Poirot chega à Mansão Nesse a pedido de Ariadne Oliver, que teme que uma simples brincadeira de “caça ao assassino” seja usada como fachada para um crime real. E ela está certa. A jovem Marlene Tucker, escalada para interpretar o cadáver fictício, é encontrada morta de verdade. A partir daí, o enigma deixa de ser um jogo e ganha contorno trágico. A nossa Rainha do Crime cria um cenário interessante, com […] - [Carta para Letícia - e a resposta dela](https://pedrokcalheiros.com.br/carta-para-leticia-e-a-resposta-dela/): Eu sei que tu me pediste uma crônica, mas te escrevo uma carta – o que avalio, em muitos aspectos, ser mais pessoal do que o teu pedido, algo mais à altura do que tu representas para mim. As crônicas se perdem no tempo, são quase que como jornais literários com um prazo de validade determinado, diferente da nossa amizade, da nossa sintonia e do quão evoluímos com o tempo, apesar dos estorvos vários a tentar nos separar. Eu queria te dizer tantas coisas, mas não quero te encher com o meu lirismo barato, tampouco com o meu excesso de […] - [O Xangô de Baker Street – Sherlock no Império e a sátira de Jô](https://pedrokcalheiros.com.br/o-xango-de-baker-street-sherlock-no-imperio-e-a-satira-de-jo/): O Xangô de Baker Street é um daqueles livros que mostram a versatilidade de Jô Soares para além da televisão. Aqui, ele combina humor, pesquisa histórica e narrativa policial com uma desenvoltura rara. A premissa é simples e ousada: Sherlock Holmes desembarca no Brasil a pedido de Dom Pedro II para investigar o sumiço de um Stradivarius e uma sequência de assassinatos marcados por uma assinatura peculiar, o corte das orelhas das vítimas. Jô reconstrói o Rio de Janeiro do final do Império com rigor e ironia. A cidade é apresentada sem qualquer idealização: ruas sujas, odores fortes, descuido generalizado […] - [Além do que se vê](https://pedrokcalheiros.com.br/alem-do-que-se-ve/): Quando a avistei pela primeira vez, pensei que fosse uma mulher mais velha. A sua forma de vestir, posteriormente, foi explicada pela sua paixão pelo curso de moda, pelo seu amor pela arte e pelos detalhes que albergam esse mundo das passarelas. Desde a Capitu da Paris dos Trópicos, por alguma razão, me sinto constantemente impelido a enveredar por curvas que tenham qualquer coisa do se vestir bem e do se expressar através da roupa. A moda, como uma grande cloaca, sempre me atraiu. Por vezes, me vejo imerso nesse mundo, mesmo que a minha seara seja o direito e […] - [Soneto da esperança](https://pedrokcalheiros.com.br/soneto-da-esperanca/): Transborda sempre o teu amável coração,nos teus escritos tão cheios de carícia;como poderia o louco amor meuviver num mundo que não fosse o teu? Há qualquer coisa nessa imensa escuridãoque nunca traz a nós boa notícia;mas o teu canto me ofereceuuma calmaria que depois se perdeu. Nesse momento de dor e tristeza,a tua saudade vem me lembrardos cânticos que outrora te li. Nesse momento sem cor nem certeza,a tua vontade me faz celebraro motivo que nos faz prosseguir. - [A amante](https://pedrokcalheiros.com.br/a-amante/): Quando eu entrei no carro, ela elogiou a minha gravata. Essa mulher sabia como me arrepiar sem tocar o meu corpo — e fez isso não pelo elogio, mas pela forma como fez o elogio. A voz suave, o olhar destilando desejo e um jeito diferente, exalando uma essência libertina que me deixava completamente louco, quase a perder as estribeiras. A noite, que estava só no início, prometia muito. Ela usava um vestido lilás e um perfume doce. Quando entrei no carro, beijei seu pescoço. Há qualquer coisa de indefinível e fascinante na eloquência feminina. Deus, quando criou as mulheres, […] - [Francisco Calheiros](https://pedrokcalheiros.com.br/francisco/): A saudade vem, ela vai.A única certeza é que vejo uma luz,dentre tantos sons, um sussurro qualquer:“Sejas firme e forte!”Percebo, é verdade, sou um homem de sorte;tive o melhor pai do mundo. - [Pela luz dos olhos meus](https://pedrokcalheiros.com.br/pela-luz-dos-olhos-meus/): Eu te levarei a museus, a saraus de poesia,a teatros, monumentos e a lugares recheados de arte,porque eu quero que tu entendas, inebriada por tanto encanto,um pouco do que sinto quando o meu olhar encontra o teu. - [Motivo](https://pedrokcalheiros.com.br/motivo/): Não quero saber do lirismoque não seja recheado da artede te amar devagarinho. Não quero saber do lirismoque não tenha meu coração partidotoda vez que eu fico sozinho. Não quero saber do lirismoque não traga, em meus versos,um pouco de solidão. Não quero saber do lirismoque não tenha, em sua essência,teu sorriso como motivo da minha canção. - [Inteligência artificial](https://pedrokcalheiros.com.br/inteligencia-artificial/): Não sei se jogava ela pela janela ou o quê. Parecia que esse dispositivo de inteligência virtual estava disposto a me desafiar. - [Carta para a minha amante](https://pedrokcalheiros.com.br/carta-para-a-minha-amante/): O meu sentimento ao enveredar pelas curvas dela é o de que não é a primeira vez. Em cada canto, perdia a linha e, a me envolver mais e mais no mistério daquele corpo, fui percebendo que não poderia morar em outro lugar. Aquele olhar me excitava a alma; sentia, dentro de mim, como se pudesse (e sou) ser capaz de fazer qualquer coisa. A mulher que um dia eu chamar de namorada, esposa ou o que for, que me perdoe, mas vai ter que dividir com ela espaço dentro do meu coração. É claro que o meu amor pela […] - [Jô Soares](https://pedrokcalheiros.com.br/jo-soares/): Não entendi a tua morte.A partida, ainda que velha amiga,sempre vem trajada diferente. Um país inteiro sentirá tua falta;teu legado, porém, está escrito.Admirado, serás sempre lembrado. Dominavas a arte de impressionar;com elegância, sabedoria e sensatez,Jô Soares é imortal por tudo o que fez. - [Sambinha pra Portela](https://pedrokcalheiros.com.br/sambinha-pra-portela/): Nunca gostei de samba,mas, quando conheci a Portela,o meu mundo mudou.Senti um alumbramento,forte encantamento,a avenida parou. Ela tem um quê de artedifícil até de explicar;não há quem segure a caneta,de tão inspirado o poetaantes, durante e depoisda alegoria passar. - [Loucuras de amor](https://pedrokcalheiros.com.br/loucuras-de-amor/): Hoje eu queria dizer que estou com saudade de escrever. Fico triste quando as pessoas dizem que escreviam desde a tenra idade, mas, com o tempo e os afazeres da vida, acabaram por abandonar a escrita. A literatura salva e escrever, sobretudo quando nos sentimos sufocados, é uma das melhores coisas do mundo. Só o papel sabe o quanto eu morri de amores pela Antonella; fiquei encantado pelas curvas do Rio de Janeiro; me declarei — e vivo a me declarar — a Manaus e tento, por mais que sem sucesso, falar sobre outra coisa que não seja o amor. […] - [É preciso ser firme e forte](https://pedrokcalheiros.com.br/e-preciso-ser-firme-e-forte/): No dia em que meu pai foi embora (para os espíritas, desencarnou), uma voz ecoou em minha mente e dizia: é preciso ser firme e forte. Antes do anúncio oficial, algo já me alertava sobre uma viagem que eu ia precisar fazer. Ora, que viagem teria de fazer, se não para levar o meu pai de volta à sua cidade natal, Itacoatiara? Não dormi, é óbvio. Recebi a notícia por volta das 21h, e fiquei em choque, mas não surpreso. O hospital, como de praxe, ligou pedindo por documentos. Em casa, conversando com os amigos do meu pai, que coordenaram […] - [A biblioteca perdida de Alcides Werk](https://pedrokcalheiros.com.br/a-biblioteca-perdida-de-alcides-werk/): Com mais de mil títulos, a biblioteca de Alcides Werk sempre foi uma lenda. Ouvi falar dela pela primeira vez através do meu pai; dizia que, além de clássicos autografados por Aníbal Beça, Thiago de Mello e Rachel de Queiroz, especulava-se até sobre cartas escritas à mão pelo próprio Carlos Drummond de Andrade. Em mensagem no WhatsApp, meu pai anunciou que a viúva de Werk tinha interesse em doar a biblioteca à família Calheiros. “São mais de mil livros. Ela quer dar todos. Serão todos seus”, destacou na mensagem. Fiquei muito feliz; a minha biblioteca pessoal, até então, contemplava cerca […] - [Despedida](https://pedrokcalheiros.com.br/despedida/): Quando descobri as curvas do teu corpo, eu era apenas um menino;encantado, pouco sabia qual era a direção certa,bobo a cada pequena e sutil descoberta;teus ânimos de prazer eram o motivo do meu desatino. Não tivera eu querido dizer palavra tão pouca;motivo do teu escárnio eram verdades por dizer.Mal sabes que, a continuar assim, serás sempre a louca,transpassada, um alguém para se esquecer. A rir de tudo agora, já passada a tempestade,longe do teu beijo e da tua gasta hipocrisia,refaço meu castelo de cartas para a nova majestade,dona dos meus versos e da minha sincera poesia. O coração, em paz […] - [ Escrever para jornal](https://pedrokcalheiros.com.br/escrever-para-jornal/): Muitos dos grandes escritores escreveram para jornais, dentre eles podemos elencar, sem pestanejar, Machado de Assis, Clarice Lispector, José Saramago e o próprio Dostoiévski. Não que tenha algo de diferente, que quer que seja, é meramente analítico; porém, me dá, à pena ática, a sensação de que estou num lugar familiar para a minha essência de escritor. A ansiedade de ir a uma banca de revistas, procurar pelo jornal, abrir na página, procurar pelo meu texto e ler de novo é muito gostosa. Vez ou outra, a contragosto, até achar algum erro. A sensação, na verdade, é que a literatura […] - [Partida](https://pedrokcalheiros.com.br/partida/): Eu queria querer ficar,não partir, com a minha partida,o teu já tão partido coração.Eu queria, deveras, amar,não transformar em mais dorum livro ainda em criação. A história que aqui encerro foi bela e divertida,daquelas em que os livros se passamem famosas avenidas,onde tudo é um frenesi de felicidade e levezaa transpor, em versos, a essênciado instante de se apaixonar. Fica decretado, para a eternidade,que, onde houver lembrança do nosso amor,haverá um verso com sentimento de saudadea pedir, numa rima boba,a vontade de, uma última vez, tua testa beijar. O poema foi escrito para a primeira namorada do autor, no mesmo […] - [O esvanecer do crepúsculo](https://pedrokcalheiros.com.br/o-esvanecer-do-crepusculo/): Não te rias de mim, que te amo tanto;as loucuras de te amar já não são espanto.Já deveria ser outra a matéria da minha poesia:deixes de ser louco, em tantos lugares há alegria. A rir de ti e de mim, hoje nem me lembro maiso tanto que sofri a pensar em ti,na loucura que seria viver num mundosem o encanto que tua essência me traz. Não me ocultes jamais da tua vida.Há tantos e tantos detalhesem que a minha presença se mostra sentida.Agora, a meditar, tudo que me vem é paz:certeza de que tudo vai bem, mesmo enquanto tu de […] - [Carta para o amor do futuro](https://pedrokcalheiros.com.br/carta-para-o-amor-do-futuro/): Se sou poeta, agradeça ao meu coração tresloucado que, a tomar decisões duvidosas, me transportou a situações férteis para a literatura. Um pouco a contragosto, aceitei o desafio de escrever uma carta para o amor do futuro, aquele mesmo que eu ainda nem conheço (ou talvez conheça e não saiba que acabará por se tornar um amor). Mas, amor, não é nada pessoal; só acho que é estranha a ideia de me dirigir a alguém que eu não sei quem seja e, ainda assim, saiba que a amarei muito. Dei-me conta de que o amor tem sido matéria repetitiva da […] - [Aquarela das tuas cores](https://pedrokcalheiros.com.br/aquarela-das-tuas-cores/): Meu coração encostou no teuno dia em que estivemos a dançar;manchado pelo teu coração de tinta,não vê a hora de te reencontrar. Todo artista uma essência entoa,essas coisas que sabemos fazer bem;tudo me leva a crer que não a conheci à toa,atraídos pela arte que não sabemos viver sem. O medo de errar a gente deixa para depois;no momento, quero te conhecer sem pressa,falar da arte, da vida e de nós dois,num café, com teu olhar, ter uma conversa. E se, de tudo, então não for feito nada,jamais poderá ser considerado vão;a arte é pretexto para fazer loucurase, se der […] - [Soneto do amor como um teatro](https://pedrokcalheiros.com.br/soneto-do-amor-como-um-teatro/): Loucura minha foi te procurar;no fundo eu já sabia onde chegar.Na plateia procurei pela tua voz,no breu gentil em que ficamos a sós. Minhas mãos buscam hoje as tuas coxas,que, ao se arrepiar, me contam tua história;ficou guardada em minha poesiae vive oculta nalgum canto da memória. Pensando bem, percebo: tudo é vão.Tua poesia, nua de sentido,ressoa ainda como antiga canção. E nunca é tarde para um beijo teu;o amanhã será sempre lembrançapara este poeta que jamais te esqueceu. - [Desencanto](https://pedrokcalheiros.com.br/desencanto/): Quem há de saber a magia efêmera do corpo? Desfaz a névoa e se dissipa, fugaz, tal como o sopro. Terminada a louca euforia, a lembrança dos teus seios a cantar; nada me alegra tanto quanto a poesia que hoje rima o adeus ao te deixar. - [Ensaio sobre a arte do flerte](https://pedrokcalheiros.com.br/ensaio-sobre-a-arte-do-flerte/): Preparei o meu café e, distraído, acabei por deixar que esfriasse. Pensando na vida e no amor, percebi que flertar durante a quarentena é preparar um café que não se pode beber agora e pior, deixando para tomar depois há o risco de a bebida já estar fria e todos nós sabemos; café requentado não presta. É claro que não vamos deixar de flertar; conhecer pessoas novas é importante. Convenhamos, porém, de que é preciso de muita lábia para que o interesse não se esvaia com o tempo. Falando em matéria de flerte, costumo dizer existe o direto e o […] - [Jovens se unem por Manaus - A primeira crônica publicada em jornal](https://pedrokcalheiros.com.br/jovens-se-unem-por-manaus-o-primeiro-texto-no-jornal-do-commercio/): Em meio à crise na saúde do Amazonas, jovens artistas se uniram em prol de um objetivo: arrecadar doações e ajudar o sistema de saúde colapsado. Tudo começou quando, numa madrugada, saíram de casa para entregar água, e o gesto até então simples acabou por virar um movimento sem precedentes. O Twitter, uma das principais ferramentas, virou uma grande rede de solidariedade; a hashtag #NortePeloNorte ficou em destaque muitas vezes e figurou até o primeiro lugar em determinadas ocasiões. Usando suas influências para mover o projeto e arrecadar doações, Beatriz Araújo (Bea das Makes), Duda Raposo, MAV, Luiz Mont, Yann […] - [A trajetória na Terra e a chegada de Francisco Calheiros no céu](https://pedrokcalheiros.com.br/a-trajetoria-na-terra-e-a-chegada-de-francisco-calheiros-no-ceu/): Sempre muito sonhador,vítima do êxodo rural,saíste em busca de um ideal.Abandonaste a dor e a pobrezapara lutar por uma certeza. Já em Manaus, numa esquina,Thiago de Mello disse para não cursar medicina:“Curse letras!”Meio contrariado, seguindo a intuição,Francisco cursou letras e ouviu o coração. Passou o tempo e, com sua maestria,mostrou que, além dos versos,na sala de aula também fazia poesia.Da rede pública para a particular,teu sapato começou a ser jogado noutro lugar. Não satisfeito com o magistérioque há anos esteve presente,decidiu algo novo; queria estar contente.Foi em busca de um novo conceito:matriculou-se na faculdade de direito. Dos livros, lançou três:Provável […] - [Laura](https://pedrokcalheiros.com.br/laura/): O olho grego sabe das coisas,e, por cima dos seios,vê até demais. O olho grego a envolve direito;posto que, mesmo no caos,te protege e te dá paz. As curvas são poema belo de escrever,mas mora no detalhe daquele olharuma lírica impossível de esquecer. Verso, prosa ou arte qualquerjamais vão descrever a essênciade você ser o que bem quiser. ## Pages - [Convite](https://pedrokcalheiros.com.br/convite/): Convite Aniversário do Pedro 07 de janeiro · 19h Restaurante Roseiral Largo do São Sebastião Você foi convidado para o aniversário do Pedro. Confirme a sua presença. R. José Clemente, 600 – Centro, Manaus – AM, 69010-070. Clique aqui para acessar a localização. Confirmações até dia 06/01; A pedidos, criei uma lista de presentes na Amazon; para acessar, clique aqui. - [Ester](https://pedrokcalheiros.com.br/ester/): E Ester, IA do Pedro Assistente para empresa, escrita e rotina Ester pronta. Escreva como se estivesse falando com uma assistente que conhece sua rotina, seus textos e seus projetos. ➤ Enviar - [Linha do tempo](https://pedrokcalheiros.com.br/linha-do-tempo/) - [Poeta Crônico](https://pedrokcalheiros.com.br/poetacronico/): @poetacronico O Poeta Crônico nasceu do desejo de transformar o olhar em linguagem. Cada foto é um fragmento do que observo quando o mundo desacelera. Luz baixa, tons quentes e verdes, sombras que conversam com o silêncio. Tudo isso constrói uma narrativa sobre o que é existir com calma num tempo que exige pressa. Aqui não se trata de exposição, e sim de observação. Cafés, corredores, livros, janelas e ausências formam uma curadoria de vida. É uma forma de registrar o que permanece quando o barulho passa. A estética é discreta, quase confessional. Há uma unidade que nasce da repetição […] - [Arquivo](https://pedrokcalheiros.com.br/arquivo/) - [Contato](https://pedrokcalheiros.com.br/contato/): Se algo que escrevi te tocou ou despertou curiosidade, este espaço é para isso. Entre em contato por e-mail para convites, projetos e palestras ou deixe uma mensagem no formulário. Envie um e-mail! contato@pedrokcalheiros.com Ou preencha o forms a seguir. Nome E-mail Mensagem Enviar mensagem - [Biografia](https://pedrokcalheiros.com.br/biografia/): Pedro K. Calheiros nasceu em Manaus no dia 7 de janeiro de 2001, filho de Francisco Soares Calheiros (1968–2020) e de Mirley da Fonseca Kawamura. A data coincide com o Dia do Leitor e com a estreia da primeira ópera apresentada no Amazonas, Gioconda, de Amilcare Ponchielli, encenada em 7 de janeiro de 1897 no Teatro Amazonas. Essa coincidência simbólica reforça a presença da arte como marca profunda em sua formação. Aos 14 anos publicou seu primeiro livro, O Amor em Quatro Versos (2015), manifestando uma escrita precoce, lírica e sensível. Em 2017 lançou Epifania Poética, consolidando-se como uma das […] [comment]: # (Generated by Hostinger Tools Plugin)